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Impacto Social
Conectando uma região extensa

Mais do que um projeto de educação profissionalizante e de inclusão tecnológica e digital, o Projeto Amazonas sem Fronteiras deverá ter grande influência positiva no cotidiano das pessoas que vivem em uma região de extrema dificuldade econômica e de difíceis condições de vida.

Neste material compilamos alguns dados a partir de Juruá, cidade sede, que de certa forma são comuns aos demais municípios abrangidos pelo projeto. Ao todo, cerca de 100 mil pessoas deverão ser impactadas nesta região. Devido à vastidão territorial do Amazonas, o projeto vai chegar a municípios que distam 551 Km em linha reta da cidade de Juruá, a qual fica a 672 km de Manaus, capital do Estado.

Quando falamos do Amazonas, estamos falando de distâncias enormes que mesmo de carro levaria horas de viagem para atravessar tamanha extensão, isso se houvesse boas estradas e opções de transporte público, o que também não é realidade.

É preciso entender que nesta região, as estradas são os rios, sendo impossível pensar um projeto de educação que facilite o acesso à população carente, sem o recurso da internet. Atualmente, a interligação entre estas localidades se dá basicamente por vias fluviais, compostas pelos rios que cortam toda floresta.

O 1º Centro de Educação Tecnológica será instalado em um prédio de 600 metros quadrados, cedido pelo município de Juruá para abrigar o hub central do projeto. Este centro ligará as comunidades por meio de subpolos, formando assim um Corredor de TI em pleno Amazonas.

Mudando a situação de vulnerabilidade IDHM baixo dos municípios

A economia de Juruá, a exemplo de toda a região, se baseia no extrativismo e na agricultura de subsistência, além do comércio e indústria presente na área urbana. A agropecuária também tem uma participação ativa, sendo presente em mais de 100 propriedades, sendo que em 41 delas há produção pecuária, totalizando um rebanho de pouco menos de 1 mil cabeças. Com um percentual de arrecadação própria muito baixa, nada menos que 95,3% de suas receitas são oriundas de fontes externas, através de programas dos governos estadual e federal.

Considerando o Índice de Desenvolvimento Humano (IDHM), IBGE 2010, Juruá teve 0,522, sendo que o IDHM dos municípios envolvidos no Projeto Amazonas Sem Fronteiras também se encontram na mesma faixa de Desenvolvimento Humano Baixo (entre 0,500 e 0,599). Só para ficar em mais alguns exemplos, São Paulo de Olivença teve IDHM de 0,521, Coaria teve de 0,586, Fonte Boa teve de 0,530, Caiçara (Alvarães) teve de 0,527 e Eirunepé teve de 0,563. 

IDH é uma medida concebida pela ONU (Organização das Nações Unidas) para avaliar a qualidade de vida e o desenvolvimento econômico de uma população. Anualmente é elaborado o Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com base em três critérios (Saúde, Educação e Renda) que traz uma medida comparativa de riqueza, alfabetização, educação, esperança de vida, natalidade, entre outros fatores.

A situação é que muitas comunidades do Amazonas sequer tem acesso a operações comuns como saneamento básico, luz, internet, escolas de qualificação profissional, muitos vivem com menos de um salário mínimo entre outros impedimentos de desenvolvimento causados pelo difícil acesso, braços de rios e igarapés. Na saúde, internações devido a diarreias são constantes e muito o índice de mortalidade ainda é alto, acima do considerado aceitável pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que é de 10 mortes para cada mil nascimentos.

Conforme levantamentos, essa região tem uma média salarial de 1.6 salários mínimos. No entanto, é baixo o índice da população que trabalha de forma remunerada. Considerando domicílios com rendimentos mensais de até meio salário mínimo por pessoa, a maioria da população vive nessas condições, ou seja, em vulnerabilidade e em situação de pobreza extrema.

A impossibilidade de ter rede de energia (fios e postes) também torna evidente a dificuldade de chegar tecnologias a estas áreas, assim como ter acesso a uma universidade ou um curso técnico mais próximo. Todo este emaranhado, com a falta de acesso à tecnologia, energia, entre outros, limita o desenvolvimento de muitas áreas, inclusive dos setores rurais e projetos de economia criativa que podem ser desenvolvidos pela própria população amazonense com o uso da internet, conectando o Amazonas ao mundo e o mundo ao Amazonas.

Análise de vulnerabilidade Social – a partir dos dados de Juruá - AM
Desmatamento

Considerado um Estado modelo na conservação da floresta, nos últimos anos o Amazonas vem chamando a atenção justamente pelo contrário: o aumento da taxa de desmatamento. De 2015 para 2016, o crescimento foi de 54%. Os números são alarmantes e demonstra que o Brasil se descuidou e sofre a ameaça de voltar com toda força.

Quem preserva são os povos e comunidades tradicionais, por que vivem da floresta e dos rios. Se o desmatamento avança com o agravante dos índices de vulnerabilidade, mais se compromete o desenvolvimento sustentável dos povos da floresta. A chamada economia verde que a educação tecnológica pode trazer é mais um passo na construção de novos rumos para reverter essa triste realidade.

O que torna emergencial um movimento internacional bem como do governo brasileiro para inibir o desmatamento.

É preciso desenvolver urgente um cenário de oportunidades com a comunidade local

Porque Polos de Educação Tecnológica no Interior do Amazonas?

A região Norte, apesar de apresentar um imenso vazio produtivo nesse setor, tem enorme potencial e localização estratégica para o intercâmbio comercial, principalmente, com alguns países sul-americanos e representa uma alternativa para o novo perfil industrial desta região, formado nestas duas últimas décadas, principalmente pelos empreendimentos industriais já existentes na Zona Franca de Manaus.

Instalar polos de educação tecnológica nesses municípios e formar capital intelectual irá contribuir para a geração de polos, que são uma forma de competir das pequenas regiões e empresas, pensando localmente e agindo mundialmente, em oposição às grandes empresas, que pensam mundialmente e agem localmente. Estes ambientes se realimentam formando um círculo virtuoso com a formação de novas micro e pequenas empresas e com a transferência de novas tecnologias.

De acordo com definição do Sebrae, clusters são aglomerações de empresas situadas em uma dada região que praticam atividades similares ou complementares em um setor específico. Ou seja, formar mão-de-obra para os empreendimentos da Zona Franca ou para desenvolver novas matrizes econômicas, fortalece cada vez mais o novo ecossistema local.

Formação Técnica

O objetivo final do projeto é desenvolver nos alunos competências e habilidades na área de tecnologia:

Formação técnica de jovens de comunidades locais que já tenham concluído o ensino fundamental ou estejam cursando o ensino médio;

Preparar alunos para cursos superiores de tecnologia;

Gerenciar redes, programas e atividades de aplicação da tecnologia da informação com qualidade e segurança;

Aplicar metodologias e ferramentas computacionais na Gestão de Tecnologia e de Serviços;

Atuar como desenvolvedor autônomo em sistemas de informação, avaliando e selecionando recursos de software e hardware;

Prestar consultoria para adoção de metodologias e ferramentas de Sistemas da Informação e soluções em projetos, administração e implantação de redes de computadores;

Analisar, definir e projetar soluções tecnológicas, com base em conhecimentos, aderentes ao negócio da organização;

Apoiar as demais áreas da empresa nas atividades de suporte de informática, tendo como atribuições, por exemplo, gerenciar e implementar sistemas de backup, sistemas operacionais, tráfego de rede, segurança de usuários e de dados;

Desenvolver a economia criativa com visão de como explorar o recurso natural riquíssimo que é a floresta amazônica pela própria comunidade e de forma sustentável;

Potencializar o empreendedorismo e capacitar para organizar e gerir negócios sociais.

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